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CAMPANHA: Suicídio Não!
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ALGUNS ARGUMENTOS CONTRA O SUICÍDIO 2
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Rubens Santini de Oliveira

PARTE IV

O desejo de vingança

“Geralmente, os suicidas fantasiam a reação dos vivos perante à sua morte: o sentimento de tristeza, remorso e culpa.
O suicida elimina sua vida, paga com ela, mas não está totalmente consciente disso, o prazer de tornar real sua fantasia de vingança, de causar sofrimento aos outros.
Muitas vezes, ele nem deseja a morte, mas sim uma nova vida, em que a pessoa se sinta querida, seja importante. O final fantasiado, se possível, é que aquelas pessoas de quem se imagina que veio o maltrato, se sintam culpadas e com remorso.
Então, o suicida, como que ressuscitaria, todos se desculpariam e a vida continuaria num final feliz.
Existe uma independência entre o desejo de morrer e o de matar-se. A pessoa que se mata não quer necessariamente morrer, pois nem sabe o que seja isso. Ela se mata porque deseja uma outra forma de vida, fantasiada. Nessa outra vida ela encontra amor ou proteção, se vinga dos inimigos, reencontra pessoas queridas.

Uma anedota nos mostra uma pessoa que jogou-se num rio querendo matar-se. Enquanto se debate na água, recusa cordas e bóias que as pessoas lhe jogam da margem. Finalmente, um policial a ameaça com um revolver: “ou você sai daí ou te dou um tiro”. O suicida em potencial, que quer matar-se, não quer ser morto, e sai da água...

A anedota é verdadeira, e nos leva a um outro aspecto do suicida. O individuo quer morrer, mas também quer viver, ele está em conflito, e comumente uma ajuda ou até uma ameaça (como no caso) podem decidir a direção que vai ser tomada.
O suicida sofre e faz sofrer. Ele não sabe o que é morte. O que o suicida procura é escapar de um sofrimento insuportável, real ou fantasiado, interno ou externo. E o ato suicida é uma mensagem, uma maneira de comunicar suas dores e pedir ajuda”.

PARTE V

Depressão e melancolia induz maioria dos suicídios.

“Distúrbios psiquiátricos são a causa mais freqüente das tentativas de suicídio, e dos suicídios propriamente ditos.
Entre esses distúrbios, a depressão e a melancolia são os maiores culpados.

A estudante de Direito, Patrícia, 21 anos, não tem o menor problema de falar sobre a sua tentativa de suicídio, aos 15 anos, pois hoje acha que o que fez foi uma bobagem, “coisa de adolescente”. “Eu estava muito triste, não me dava bem com os amigos e com a família”, diz. A garota tomou uma cartela de antidepressivos. “Na hora eu não pensei claramente em morrer, só sentia vontade de fugir de tudo”. Patrícia foi encontrada em seu quarto por sua mãe. “Contei tudo a ela. Fomos ao hospital e fiz uma lavagem”.

O uso excessivo do álcool e de drogas também podem levar ao suicídio. Sob seus efeitos, as pessoas perdem parcialmente a noção do que fazem, e podem acabar se matando.
Dúvidas com relação à personalidade ou grandes perdas também podem levar a pessoa ao suicídio. Dúvidas em relação à sexualidade e conflitos com a família são exemplos comuns”.
PARTE VI

O suicida inconsciente

“Suicidio é, traduzindo-se a palavra: morte de si mesmo. Esta definição parece suficiente, num primeiro momento. Mas, quando começamos a refletir sobre as maneiras e mecanismos como as pessoas podem matar-se ou contribuir para sua própria morte, percebemos que se trata de uma conceituação muito ampla, em que podemos incluir muitos atos e comportamentos que normalmente o leigo não imagina que se trata de suicídio.

Vejamos alguns exemplos:

Imaginemos um fumante inveterado, já com problemas pulmonares e cardíacos, conseqüências do fumo, que sabe que se não parar morrerá em pouco tempo. E geralmente não pára de fumar ou não consegue. É evidente que está contribuindo para sua própria morte. O mesmo vale para os alcoólatras, o viciado em drogas e mesmo para quem insiste em ingerir alimentos que lhe farão mal.
Há pessoas que gostam viver perigosamente. Na maioria das vezes não estão conscientes dos riscos que correm, ou mesmo que conhecem, acreditam impunes a eles. Corredores de automóveis, alpinistas são um bom exemplo.
Algumas pessoas levam formas de vida em que, por problemas psíquicos ou psicossociais, se sobrecarregam física e/ou emocionalmente. Vivem constantemente em tensão e muitas vezes acabam criando uma doença em seu organismo, existindo um componente emocional ligado à impulsos de autodestruição. A doença será a resultante da interação entre os instintos de vida e de morte (estes exacerbados). Isto é, mais evidente no caso de moléstias que se costumam chamar psicossomáticas: a hipertensão arterial, o enfarte do miocárdio, a úlcera gastroduodenal, a asma brônquica, ... O componente psicológico também é claro nas doenças infecciosas, no câncer e nas doenças auto-imunes.”

PARTE VII

Os suicídios por fracasso

“Quando se trata de pessoas de estratos sociais médios e altos, é muito provável que a competição desenfreada, a necessidade de status e poder, a valorização das pessoas pelo que têm, o estímulo ao consumismo, etc, fazem com que elas passem a viver numa roda-viva, em que sempre querem mais e estão sempre se comparando com os outros. E esses valores são estimulados pela nossa sociedade. Surgem então as tão conhecidas figuras do tipo “vencedor”, isto é, aquele individuo, com grande capacidade de trabalho e adaptação às circunstâncias, e que usa qualquer meio, ético ou não, para adquirir mais poder, prestígio e dinheiro. Muitas empresas estimulam a competição entre seus funcionários, reproduzindo em menor grau o que acontece na sociedade.
Alguns “vencedores”, quando atingem o auge, entram em depressão, a “depressão do sucesso”, porque não havendo mais nada para conseguir, não há mais objetivos, e só sobram o tédio, a monotonia e a tristeza. E outros, ainda, entram em decadência, ou porque não conseguem mais acompanhar mudanças rápidas, devido à idade, ou pela entrada de novos competidores mais jovens. Acabam também com depressão por fracasso.
O suicídio pode ser uma saída, se o fracasso é sentido como humilhante, insuportável. Devemos lembrar, por outro lado, que esses indivíduos só viveram para sua ambição e trabalho, e seus laços familiares ou afetivos são muito frágeis.
Quando fracassam, se percebem sozinhos, pois suas “amizades”, “mulheres”, “badalações” e “nome em colunas sociais” eram apenas o resultado do aproveitamento do seu status por outras pessoas gananciosas. Procurem prestar atenção em políticos ou pessoas que foram muito poderosas, quando perdem esse poder. Geralmente envelhecem e morrem pouco depois. É como se não tivessem mais por que viver, suicidando-se inconscientemente. E, alguns de forma intencional”.

“Karl Menninger, autor de “Eros e Tanatos: O homem contra si próprio”, nos diz: “Em lugar de combater seus inimigos, tais pessoas combatem (destroem) a si próprios”. Assim, o suicídio é um homicídio, onde o individuo que mata é também a própria vítima”.

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