02 setembro 2015

Setenta vezes Sete!

por H. Thiesen 

Recebi um e-mail de uma amiga, pedindo-me para falar sobre "o perdão". Logo depois que o li, lembrei-me de uma outra amiga, que certa vez disse-me que já havia terminado com a sua cota de perdão, pois naquele ano, já perdoara as quatrocentas e noventa vezes necessárias.
Antes de iniciar, vamos analisar o número sete na Bíblia, o qual está presente em inúmeras passagens:
- Sete são os dias da Criação,
- Sete são as manifestações do Espírito de Deus…
- Sete são anos de fartura e sete os anos de miséria sobre o Egito…
- Sete dias levava a purificação do Templo
- Sete nações foram vencidas por Israel, para os hebreus se estabelecerem em Canaã
- Sete foram os pães da multiplicação
- Sete foram os espíritos expulsos de Maria Madalena
- Sete foram as chagas de Cristo
- Sete foram as horas de agonia de Jesus
Estes são alguns exemplos da utilização do número sete na Bíblia, mas a passagem que exemplifica com mais propriedade e se refere ao perdão é esta:
Então, chegando-se Pedro a ele, perguntou: 
- Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes?
Respondeu-lhe Jesus: 
- Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. 
(Mateus, XVIII: 15, 21e 22).
Levando-se em consideração a matemática, chegamos à conclusão, que se perdoarmos quatrocentos e noventa vezes será o suficiente, o que vai de encontro à afirmação da minha amiga, porém mesmo que isso seja razoável, é impossível encontrar em um ano, 490 motivos para perdoar.
Se analisarmos conscientemente, as passagens bíblicas, nos quais é citado o número sete, veremos que ele tem o efeito de perfeição. Ou seja, quando Jesus afirmou, setenta vezes sete, quis demonstrar que seriam setenta vezes a perfeição, deixando claro que seriam infinitas vezes. 
Significa portanto, que assim como Deus é infinitamente misericordioso, devemos perdoar sempre.
A misericórdia é o complemento da mansuetude e misericórdia é um dos sinônimos do Perdão. Consiste no esquecimento das ofensas. O ódio e o rancor denotam de almas sem elevação e sem grandeza. O esquecimento das ofensas é próprio das almas elevadas. Uma está sempre calma, cheia de mansuetude e iluminada. A outra é de uma sensibilidade enegrecida e amargurada
Infeliz é aquele que jamais perdoa, porque, com que direito pedirá perdão de suas próprias faltas? Somos humanos e por mais que tentemos, não somos perfeitos.
Há duas maneiras bem diferentes de perdoar. A primeira é grande nobre, generosa, sem segundas intenções e, trata com delicadeza o amor próprio do adversário ou ofensor, mesmo quando a culpa é inteiramente dele. A segunda é quando o ofendido, ou que assim se julga, impõe condições, fazendo sentir as obrigações ao perdoado, um perdão que irrita, em vez de acalmar.
A primeira, muitas vezes passa desapercebida, até mesmo aos olhos do ofensor, é benevolente.
A segunda, nada mais é do que ostentação, a fim de mostrar a todos uma generosidade, mas que camufla uma humilhação Nessas circunstâncias, é impossível que a reconciliação seja plena e sincera, pois não é generosidade, mas apenas uma manifestação de orgulho. Em todas as divergências, aquele que se mostra mais conciliador, que revela mais desinteresse próprio, mais caridade e verdadeira grandeza de alma, conquistará sempre a simpatia e o respeito.
O perdão começa em nosso coração, inunda a nossa alma e, na inteligência é formada a decisão! Depois de concebido e gestado no pensamento, ganha caráter irreversível e explícito. 
A incapacidade de perdoar, perpetua a ideia de que vingança e ódio são remédios para a cura das dores, pode parecer que a vingança é mais justa do que o perdão, porém à longo prazo suas consequências serão terríveis e cruéis. Paralelamente, podemos dizer que o perdão condicionado à humilhação, nada mais é do que uma vingança.
O perdão afeta o presente e o futuro, mas não modifica o passado. De nada adianta, sonhar com um passado melhor ou diferente. O que passou, passou! Podemos sim, assimilar e aprender com o que ele tem a nos ensinar. Querer mais do que isso é impossível.
Jesus nunca levou em consideração o passado, mas sempre afirmou, "- Vá e não peques mais!", Sabendo, como Mestre, que o que podemos fazer em relação ao passado, é enxergá-lo de uma nova forma, mas vivendo corretamente o presente e projetando o futuro e nos ensinou que o perdão não acontece de uma hora para outra e nem  mesmo pode ser uma tentativa simplesmente ignorar as dores. O perdão é um processo profundo, repetido no íntimo, tantas vezes quantas forem necessárias. Sem pressa, amadurecendo-o com clareza e sabedoria. Não é um puro esquecimento dos fatos, não é a colocação de panos quentes e muito menos a tentativa de amenizar os fatos. Perdoar é começar a ver o passado com os olhos do presente, voltados para o futuro, se libertar das garras interiores e exteriores e daquele que o machucou.
Queiramos ou não, podendo ou não, retirar da nossa vida alguém que nos machucou, é preciso perdoá-lo. Sem perdão, aqueles que nos machucaram, permaneceram ocupando espaços preciosos no nosso coração, na nossa vida e continuaram com um poder enorme sobre nós. Pois sempre demonstraremos o quanto nos abalam, o quanto suas atitudes nos ferem e, que nos importamos com o que fazem para nós. O perdão, e somente ele, nos livra disso tudo! O perdão é um sentimento insubstituível!

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