03 março 2012

Renovação: A Estrada de Damasco

De: Neiva Nessi

Hoje eu quero contar a vocês a história de um homem. Talvez alguns de vocês já conheçam essa história, mas eu resolvi conta-la, mesmo assim, pois é um exemplo a ser seguido por cada um de nós. É, com certeza, uma das mais belas histórias que eu já li, e que procuro relembrar a cada dia.
A história que vou lhes contar é a história de um judeu, que possuía cidadania romana (conste que naquela época, toda a região de Jerusalém e cidades vizinhas eram governadas pelos romanos. Os Romanos, porém, não interferiam nos cultos e credos dos povos escravizados).
O nome deste homem era Saulo. Saulo havia sido educado para ser um Doutor da Lei. Provavelmente, pela sua inteligência e todo o conhecimento das antigas leis do seu povo (Velho Testamento) que ele recebera, ele estava sendo preparado para ser o chefe do Sinédrio, o maior de todos entre os doutores daquele Conselho.
Saulo teria um futuro brilhante. Sabia falar outros idiomas, inclusive o grego. Como Doutor da Lei, àquela época, ele se tornara mais um na perseguição cerrada aos primeiros cristão. Aos poucos, essa perseguição tornava-se mais e mais importante para ele.
Saulo chegava ao ponto de tomar por inimigos, os discípulos trabalhadores fiéis, que seguiam a obra do Cristo crucificado, principalmente Pedro, João e Tiago que criaram a Casa do Caminho, onde ajudavam os infelizes e os enfermos, cuidando dos miseráveis sofredores com suas próprias forças, repartindo seu próprio pão.
No entanto, Saulo tinha uma grande esperança. Abigail, uma moça considerada por ele como um anjo e que após a perda do pai, separara-se do irmão, ficando sozinha no mundo, sendo criada na casa de Zacarias e Ruth, através de quem conheceu Saulo e tornou-se sua noiva.
Abigail, que nunca perdera a esperança de reencontrar o irmão Jeziel, sempre pedia a Saulo que o procurasse. Temia por sua situação.
Não imaginava ela, que o inocente e dócil rapaz, havia encontrado a paz e não só trabalhava na Casa do Caminho, como pregava a palavra do 'Crucificado', segundo as palavras de "O Novo Testamento", cheio de fé e do Espírito Santo, segundo as palavras em Atos dos Apóstolos.
O pai de Jeziel e Abigail, fora morto por perseguição injusta dos romanos, para tomar-lhes a fortuna e Jeziel, por ter chegado à Casa do Caminho como fugitivo, passou a ser ali chamado Estevão.
Estevão, pela palavra fácil e o conhecimento que recebera de seu pai do Velho Testamento, mas também pelo aprendizado da Doutrina do Cristo, levava aos homens a Boa Nova (Tradução de Evangelho) e assim convertia muitos judeus incrédulos e até romanos à nova doutrina.
Tão grande e belo era o seu trabalho, que chamou a atenção aos inimigos da nova fé. O Novo Testamento nos conta que não conseguiam seus inimigos rebaterem as afirmações de sabedoria com que falava, assim, subornaram alguns homens para que dissessem que ele blasfemava e Estevão foi entregue ao Sinédrio para ser julgado.
Saulo, o infeliz Saulo, o mesmo que neste momento era glorificado entre os seus por poder mandar apedrejar aquele que representava o maior perigo para eles, por pregar a Doutrina simples e santa do Cristo... era o mesmo Saulo que mandava assassinar, sem saber, o irmão de sua amada... o inocente Jeziel. E quão infeliz ele seria, pois daquele dia em diante, Abigail definhou em sua saúde até o momento em que partiu desse mundo, desencarnando.
Antes disso porém, Abigail conheceu a Doutrina do Cristo através das sábias pregações de Ananias. Saulo, acreditava que em sua debilidade de saúde, não devia contesta-la. Porém, odiava a cada dia mais, aquele Nazareno que o fazia perder a noiva. Até Gamaliel, o Doutor da Lei que tudo lhe ensinara, tornara-se simpático a essa nova doutrina e isso tudo, fazia o ódio de Saulo pelo crucificado, aumentar a cada dia.
Saulo de Tarso, assim era conhecido pois esse era o nome de sua cidade natal, tinha agora um objetivo único em sua vida: destruir a Doutrina nascente. Mesmo que para isso fosse necessário matar a todos os discípulos e seguidores daquele a quem com tanto desprezo chamava: "O Crucificado".
Com a morte da noiva, Saulo resolveu-se a perseguir Ananias e sabendo que este rumara para Damasco, chama alguns amigos escravos e soldados e parte atrás dele.

O caminho, porém, era o marco principal da vida de Saulo. Na estrada para Damasco, Saulo encontra a palavra que sua vida necessitava: Renovação.
O brilho da aparição do Espírito radiante de Jesus faz com que Saulo caia de joelhos e então ele ouve as palavras que ressoam até hoje pra toda a humanidade:
"Saulo! Saulo! Por que me persegues?"
"Quem sois vós, Senhor?"
"Eu sou Jesus!"
Cego, Saulo ouve seus amigos que haviam ouvido seu diálogo, porém nada viram. Acreditavam que estava delirando, ou que enlouquecera. Entendia que dali em diante, devia rumar sozinho. Somente Jacob, que dispensara os demais, o acompanhou.
Jesus indicara a Saulo que fosse a um lugar em Damasco. Nesse lugar, Saulo hospedou-se e aguardou pacientemente o dia seguinte, conforme havia sido orientado.
Agora aquele que perseguia um homem para mata-lo, somente podia aguardar pacientemente...
A cura de sua cegueira se fez pelas mãos do mesmo Ananias que fora procura-lo, pois recebera a intuição, vinda do Cristo, de que deveria fazer isto.
Daquele dia em diante, Saulo, agora batizado como Paulo pois teria nova vida e portanto, novo nome; passara a ser ele próprio também um daqueles a quem tanto perseguira: um seguidor de Cristo.
Seu caminho daí em diante nada fácil se tornou. Precisava agora sobreviver a custa do seu próprio suor. Foi abandonado por todos os amigos e até mesmo pela família. Tornara-se motivo de risos e chacotas, alguns diziam que enlouquecera.
O Sinédrio, antes admirador da sua cultura, agora era seu inimigo e perseguidor.

Não foi o milagre da cura de sua cegueira nem a aparição de Jesus, no entanto, quem fizeram grande a história da Paulo de Tarso.
Também não foi o seu amor por Abigail, nem o apedrejamento de Estevão, que colocaram seu nome para sempre na história do Cristianismo.
Tampouco não serviria para imortaliza-lo, o conhecimento do Velho Testamento, nem o Título de cidadão romano.
Paulo, com sua fé, coragem e dedicação à causa a que servia, foi o maior divulgador da Doutrina Cristã.
Levou a Boa Nova aos mais diversos povos, principalmente àqueles que eram chamados gentios, onde a fé estava há muito abalada e o amor perdera-se entre caprichos terrenos.
Sofreu, sim, é bem verdade, em nome dessa dedicação.
Buscou com humildade os discípulos de Jesus, que desconfiaram de suas boas intenções, devido aos seu passado culposo.
Foi ferido e humilhado nos lugares por onde passou.
Foi julgado por diversas falsas acusações.
Porém evangelizou. Fundou inúmeras Casas da Fé. Consolou a cada um que lhe buscava o conselho. Enfim aprendeu a amar e deu sua própria vida por amor à Jesus.
É graças ao seu esforço desmedido, que hoje em todo o mundo ocidental, temos notícias da nova fé espalhada tão modestamente antes dele. Graças as suas cartas aos Coríntios, Romanos, Gálatas, Efésios, Tessalonissenses dentre outros, que podemos hoje estar aqui reunidos, em nome de Jesus.
Paulo de Tarso renovou-se na estrada de Damasco há quase 2000 anos. E nós? Quando será a nossa vez?

Fontes bibliográficas:
Novo Testamento - Atos dos Apóstolos
XAVIER, Francisco Cândido. Paulo e Estevão. Pelo Espírito Emmanuel.

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