03 março 2012

Casamento e Divórcio

De: Neiva Nessi

"(...) Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim." S. Mateus cap. XIX vv. 8


A lei humana está sempre em mudança, adaptando-se conforme as necessidades dos seres humanos. Assim, conforme o tempo, as religiões, a região e os costumes das pessoas vão sendo elaborados novos conjuntos de leis que influenciam em nossas vidas e nos ajudam a estruturar nosso convívio em sociedade.
As leis naturais são as leis criadas por Deus e estas leis são imutáveis, por que são perfeitas. À medida que os homens estão evoluindo, suas leis tendem também a evoluir e cada vez serem mais semelhantes às leis naturais.
Conforme lemos em O Livro dos Espíritos, pergunta 697, as leis humanas que impedem o divórcio são contrárias à lei natural. Com isto, não quer a Doutrina Espírita incentivar a separação dos casais, pois Jesus foi bem explícito quando nos disse que somente podemos nos divorciar por causa da dureza dos nossos corações, ou seja, por que em nós ainda não existe o verdadeiro amor pelos nossos cônjuges. Vai mais longe ainda quando complementa dizendo "Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério." (grifo nosso).
Em nosso atual estágio evolutivo, vivendo em um planeta de Provas e Expiações, somos espíritos sujeitos a numerosos vícios e grande imperfeição moral (ver O Evangelho Segundo o Espiritismo cap. III item 13). Sendo assim, não podemos esperar encontrar entre nossos companheiros de jornada, seres perfeitos que terão por nós o amor e apreço que ainda não merecemos.
Em geral, buscamos para o casamento, o parceiro que nos satisfaça sexualmente ou financeiramente. E ainda, inconscientemente, buscamos no parceiro, o complemento das nossas imperfeições morais: o orgulhoso busca o inseguro; o egoísta busca o dependente; o impaciente busca o que possa lhe aturar as constantes exigências e assim por diante...
Não percebemos mas com o passar do tempo, por essas diferenças, acabamos por nos distanciarmos dos companheiros que escolhemos para esposo/esposa e ao invés de aceitarmos e trabalharmos as diferenças, visto que cada um tem as qualidades que poderiam fazer o outro progredir, preferimos a separação muitas vezes sem refletirmos as consequências deste ato que poderá acarretar enormes dívidas futuras no campo emocional, especialmente para os casais que já geraram filhos.
Os fatores que levam às separações são diversos, mas podem ser evitados se o casal iniciar um trabalho de reversão desse quadro assim que perceber o início dos problemas: se existe a tentação da traição, trabalhar para evitá-la; se existe a violência verbal, tratar para que não chegue à violência física; se não há concordância sobre a criação dos filhos, buscar opinião profissional junto a psicólogos e pedagogos; etc.
Indiferente à situação entre os esposos, ainda que sobrevenha a separação, a obrigação para com os filhos é sempre dos pais que os geraram, mesmo que inclua-se nestas novas famílias padrastos e madrastas.
Os segundos casamentos em geral sofrem grandes pressões por parte dos membros dos relacionamentos anteriores. Quem pretende inserir-se em um relacionamento deste porte, deve estar preparado para as dificuldades que possam advir, considerando que possam existir enteados, ex-esposos, e todo um conjunto de vivências e realidades que o cônjuge de segundas núpcias carrega consigo.
O casamento deve ser uma ação que ambos os cônjuges desejem, não pode ser feito somente para satisfazer apenas uma das partes. A possibilidade do divórcio existe, mas somente deve ser utilizada nos casos extremos de adultério e violência.
Casamento é a união legal de dois seres, porém quando nós assumimos este compromisso um perante o outro estamos nos comprometendo em auxiliar-nos mutuamente a cumprir nosso plano evolutivo nesta encarnação.
Por isso, devemos buscar o parceiro que nos satisfaça espiritualmente e que possa nos auxiliar a desenvolver as qualidades que ainda nos faltam e superar as deficiências de caráter que nós carregamos conosco, sabendo das dificuldades de uma vida em família, mas conhecendo as alegrias de uma vitória sobre nossas imperfeições morais.

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