12 dezembro 2007

OBSESSÃO - TIPOS, CAUSAS E GRAUS

Vimos que a obsessão pode ser entendida como o domínio que alguns Espíritos de natureza inferior podem exercer sobre certas pessoas. Esse domínio apresenta graus variáveis, resultando dai, efeitos também variáveis, em grau e em complexidade. As principais variedades de obsessão são a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. No estudo da mediunidade, Kardec conceituou, como segue, as variedades de obsessão:
Obsessão simples - verifica-se quando um Espirito moralmente inferior se impõe a um médium, intromete-se nas comunicações contra a vontade do médium, impede que este se comunique com outros Espíritos, e substitui os Espíritos que são evocados. Qualquer médium, principalmente quando lhe falta experiência, pode ser enganado por Espíritos mal intencionados. Entretanto, o que caracteriza a obsessão simples é a persistência de um Espirito em perturbar as comunicações, e a dificuldade que o médium encontra para livrar-se desse inconveniente. Fascinação - e entendida como uma ilusão criada diretamente pelo Espírito no pensamento do médium, e que inibe o seu discernimento ou a sua capacidade de Julgar as comunicações. O médium fascinado não se considera enganado, O Espírito obsessor consegue impedi-lo de reconhecer o engano, mesmo quando a mistificação é grosseira e ridícula. As conseqüências da fascinação são mais graves, uma vez que ~ obsessor dirige a vitima, fazendo-a aceitar teorias e idéias as mais absurdas. Nos casos de fascinação, os Espíritos obsessores são, geralmente, bastante espertos e ardilosos.
Subjugação - é um envolvimento que anula a vontade da pessoa -fazendo-a agir de acordo com a vontade do obsessor. O obsidiado fica subordinado a um verdadeiro jugo. A subjugação pode ser moral ou corpórea. No primeiro caso, a pessoa é obrigada a tomar decisões quase sempre absurdas e comprometedoras; no segundo caso, o Espirito age sobre a organização física, provocando desde movimentos involuntários simples até lesões graves no corpo do encarnado. Entendendo a obsessão como o domínio de uma mente sobre outra mente, ou seja, um processo de transmissão mental, compreender-se-á que ela pode apresentar outras características alem daquela até aqui focalizada, ou seja, a atuação de um Espírito desencarnado sobre um encarnado Existem, em grande número, pessoas obsidiando pessoas; caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem como vitimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão ou ânsia de poder, e é exercido, muitas vezes, de maneira tão sutil, que a pessoa dominada julga-se extremamente amada, e ate mesmo protegida. É uma obsessão de encarnado para encarnado. O marido que subjuga a esposa, a esposa que tiraniza o marido, são expressões desse tipo de obsessão.
Espíritos desencarnados também obsidiam Espíritos desencarnados; o mesmo drama de domínio de uma mente sobre outra mente desenrola-se também no plano espiritual. É a obsessão de desencarnado para desencarnado. Situações que ocorrem na erraticidade são, muitas vezes, reflexo daquelas que ocorrem na crosta terrestre, e vice-versa.
Embora possa parecer difícil, a obsessão também acontece de um Espírito encarnado para um desencarnado fato mais freqüente do que se pensa, pois muitas criaturas humanas vinculam-se, obstinadamente, aos entes amados que as precederam no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo levam à fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre, não lhes permitindo o equilíbrio necessário para enfrentar a nova situação na vida espiritual. Idêntico processo verifica-se quando o sentimento que do mina o encarnado e de ódio, revolta, etc.
Finalmente, a obsessão pode assumir ainda a expressão de obsessão recíproca. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, assim também existem criaturas que permutam vibrações de natureza inferior, com as quais se comprazem. É uma espécie reciproca, que tanto pode ocorrer entre encarnados quanto entre desencarnados, ou ainda entre estes e aqueles.
AS VÁRIAS EXPRESSÕES DE UM MESMO PROBLEMA
( . . . ) existem problemas obsessivos em várias expressões, como os de um encarnado sobra outro; de um desencarnado sobro outro; de um encarnado sobre. um desencarnado e, genericamente, deste sobre aquele." — Manoel Philomeno de Miranda. (Sementes de Vida Eterna, Autores Diversos, psicografia de Divaldo Pereira Franco, cap. 30.)Obsessão — um problema a expressar-se de virias maneiras. Alem das relacionadas por Manoel P. de Miranda, acrescentaremos: a obsessão recíproca e a auto-obsessão.
ENCARNADO PARA ENCARNADO
Pessoas obsidiando pessoas existem em grande número. Estão entre nós. Caracterizam-se pela capacidade que têm de dominar mentalmente aqueles que elegem corno vítimas. Este domínio mascara-se com os nomes de ciúme, inveja, paixão, desejo de poder, orgulho, ódio, e é exercido, ~ vezes, de maneira tão sutil que o dominado se julga extremamente amado. Até mesmo protegido. Essas obsessões correm por conta de um amor que se torna tiranizante, demasiadamente possessivo, tolhendo e sufocando a liberdade do outro. É, por exemplo, o marido que limita a liberdade da esposa, mantendo-a sob o jugo de sua vontade; é a mulher que tiraniza o companheiro, escravizando-o a os seus caprichos ; são os pais que se julgam no direito de governar os filhos, cerceando-lhes toda e qualquer iniciativa; são aqueles que, em nome da amizade, influenciam o outro, mudando-lhe o modo de pensar, exercendo sempre a vontade mais forte o domínio sobre a que se apresentar mais passiva. São ainda as paixões escravizantes que, desequllibrando emocionalmente os seres, podem ocasionar dramas dolorosos, configurados em pactos de suicídio, assassínios' etc. A dominação mental acontece não só no plano terrestre, isto é nas ocorrências do dia a dia. mas prossegue principalmente durante o sono físico, quando os seres assim comprometidos se defrontam em corpo astral, parcialmente libertos do corpo carnal, dando curso em maior profundidade ao conúbio infeliz em que se permitiram enredar. O mesmo sucede sob o império do ódio ou quaisquer outros sentimentos de ordem inferior. Até mesmo dentro dos lares, na mesma família, onde se reencontram antigos desafetos, velhos companheiros do mal, comparsas de crimes nefandos, convocados pela Justiça Divina ao reajustamento. Entretanto, escravizados ao passado deixam-se levar por antipatia e aversão reciprocas, que bem poucos conseguem superar de imediato. Surgem dai muitas das rixas familiares, já que esses Espíritos agora unidos pelos laços da consangüinidade, prosseguem imantados às paixões do pretérito, emitindo vibrações inferiores e obsidiando-se mutuamente. São pais que recebem , como filhos, antigos obsessores. ~ o obsessor de ontem que acolhe nos braços, como rebento de sua carne, a vitima de antanho. E esses seres se entrelaçam nos liames consangüíneos para que tenham a preciosa ensancha de modificar os próprios sentimentos, vencendo aversões, rancores e mágoas. Reduzido, porem, ainda é o número dos que conseguem triunfar, conquistando o vero sentimento de fraternidade' tolerância e amor. Sem embargo, a experiência vivida, à custa de sacrifícios e lágrimas, será para todos o passo inicial da longa e bela escalada, em busca do Pai que nos aguarda em Sua Infinita Misericórdia.
DESENCARNADO PARA DESENCARNADO
Espíritos que obsidiam Espíritos. Desencarnados que dominam outros desencarnados, são expressões' de um mesmo drama que se desenrola tanto na Terra quanto no Plano Espiritual Inferior. As humanidades se entrelaçam: a dos seres incorpóreos e a dos que retomaram a carne. Situações que ocorrem na Crosta são, em grande parte, reflexo da odisséia que se desenvolve no Espaço. E vice-versa. Os homens são os mesmos: carregam os seu vícios e paixões, as suas conquistas e experiências onde quer que estejam. Por isso há no Além-Túmulo obsessões entre Espíritos. Por idênticos motivos das que ocorrem na face da Terra. Em quase todos os processos obsessivos desencadeados pelo que já desencarnou, junto ao que ainda está preso ao veículo físico, o obsessor cioso da cobrança costuma, em geral, aliciar outros Espíritos para secunda-lo em sua Vingança. Tais "ajudantes" são invariavelmente inferiores e de Inteligência menos desenvolvida que a de seu chefe. A sujeição mental a que se submetem tem suas origens no temor ou até em compromissos ou dívidas existentes entre eles, havendo casos em que o "chefe" os mantém sob hipnose - processo análogo, aliás, ao utilizado com as vitimas encarnadas. O jugo dos obsessores só é possível em razão da desarmonia vibratória de suas presas, que só alcançarão a liberdade quando modificarem a própria direção mental. Certamente recebem, tanto quanto os obsessores, vibrações amorosas e equilibradas dos Benfeitores Espirituais, que Ihes aguardam a renovação. Espíritos endividados e comprometidos entre si mesmos, através de associações tenebrosas, de idêntico padrão vibratório, se aglomeram em certas regiões do Espaço, obedecendo à sintonia e à lei de atração, formando hordas que erram sem destino ou se fixam temporariamente, em cidades, colônias, núcleos, enfim, de sombras e trevas. Tais núcleos tem dirigentes, que se proclamem Juízes, julgadores, chamando a si a tarefa do distribuir "justiça " aos Espíritos Igualmente culpados e também devotados ao. mal, ou endurecidos pela revolta e pela descrença. Na obra " Libertação ", de André Luiz, encontramos a descrição de uma dessas cidades e no livro "Nos Bastidores da Obsessão", de Manoel P. de Miranda, temos notícia também de um desses núcleos trevosos. Aí, nesses redutos das sombras, comete-se toda sorte de atrocidades e os Espíritos aferrados ao mal são julgados e condenados por outros ainda em piores condições. Torturas inimagináveis, crueldades, atos nefandos são praticados por esses seres que se afastaram, deliberadamente do bem. Esses agentes do mal, todavia, não estão abandonados pela misericórdia do Senhor, e sempre que ofereçam condições propícias são balsamizados pelas luzes divinas a ensejar-lhes a transformação. Um dia retornarão ao aprisco, porque nenhuma das ovelhas se perdera...
ENCARNADO PARA DESENCARNADO
A primeira vista, a obsessão do encarnado sobre o desencarnado pode parecer difícil ou mais rara de acontecer. Mas, ao contrário, é fato comum, já que as criaturas humanas, em geral por desconhecimento, vinculam-se obstinadamente aos entes amados que as prece. deram no túmulo. Expressões de amor egoísta e possessivo, por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre. Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recém-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhes permitindo alcançar o equilíbrio de que carece para enfrentar a nova situação. A inconformação e o desespero, pois, advindos da perda de um ente querido, podem transformar-se em obsessão que irá afligi-lo e atormenta-lo. Idêntico processo se verifica quando o sentimento que domina o encarnado é o do ódio, da revolta, etc. É bastante comum, também, que herdeiros insatisfeitos com a partilha dos bens determinada pelo morto se fixem mentalmente neste, com seus pensamentos de inconformação e rancor. Ac disputas de herança afetam dolorosamente os que já se desprenderam dos liames carnais, se estes ainda não conquistaram posição espiritual de equilíbrio. E, mesmo neste caso, a disputa entre os herdeiros em torno dos bens irá confrange-los e preocupá-los. Ah! se os homens pensassem um pouco mais na vida além da ida transitória, se dedicassem mais atenção às coisas espirituais, se dessem mais valor aos bens eternos que constituem o verdadeiro tesouro, se relembrassem os sublimes ensinamentos do Cristo, certamente haveria menos corações infelizes a transitarem entre os dois planos, hesitando entre a espiritualidade que Ihes acena com novas perspectivas e as solicitações inferiores que os atraem e os imantam à retaguarda.
DESENCARNADO PARA ENCARNADO
É a atuação maléfica de um Espírito sobre um encarnado. O processo obsessivo entre os seres invisíveis e os que estão encarnados parece ser o de maior incidência. Evidentemente, por ser mais fácil ao desencarnado influenciar e dominar a mente daquele que está limitado pelo veículo somático. Agindo nas sombras, o obsessor tem, a seu favor o fato de não ser visível e nem sempre percebido ou pressentido pela sua vítima. Esta, incauta, imprevidente, desconhecendo até a possibilidade da sintonia entre os seres do Plano Espiritual e os da Esfera Terrestre deixa-se induzir, sugestionar e dominar pelo perseguidor, que encontra em seu passado as "tomadas" mentais que facultarão a conexão. Estas "tomadas" são os fatores predisponentes, como a presença da culpa e do remorso. Nem sempre, contudo o Espírito está consciente da sua influência negativa sobre o encarnado. Não raro, desconhecendo a sua situação, pode, sem o saber, aproximar-se de uma pessoa com a qual se, afinize e assim prejudicá-la com suas vibrações. Outros o fazem intencionalmente; a maioria, com o intuito de perseguir ou vingar-se, como veremos nos capítulos seguintes.
OBSESSÃO RECIPROCA
A obsessão pode assumir ainda, em qualquer de suas expressões até agora mencionadas, a caraterística de obsessão reciproca. Na vida real é fácil encontrar casos que confirmem isto. Assim como as almas afins e voltadas para o bem cultivam a convivência amiga e fraterna, na qual buscam 0 enriquecimento espiritual que as possa nutrir e confortar, assim também, sob outro aspecto, as criaturas se procuram para locupletar-se das vibrações que permutam e nas quais se comprazem. Apenas, uma vez mais, uma questão de escolha. André Luiz, observando o caso de Libório— que obsidiava a mulher por quem sentia paixão, vampirizando-lhe o corpo físico— esclarece a respeito: "O pensamento da irmã encarnada que o nosso amigo vampiriza está presente nele, atormentando-o. Acham-se ambos sintonizados na mesma onda. É um caso de perseguição reciproca. (. . .) enquanto não Ihes modificamos as disposições espirituais (. . . ) jazem no regime da escravidão mútua, em que obsessores e obsidiados se nutrem das emanações uns dos outros." Essa característica de reciprocidade transforma-se em verdadeira simbiose, quando dois seres passam a viver em regime de comunhão de pensamentos e vibrações. Isto ocorre até mesmo entre os encarnados que se unem através do amor desequilibrado, mantendo um relacionamento enervante. São as paixões avassaladoras que tornam os seres totalmente cegos a quaisquer outros acontecimentos e interesses, fechando-se ambos num egoísmo a dois, altamente perturbador. Esses relacionamentos, via de regra, terminam em tragédias se um dos parceiros modificar o seu comportamento em relação ao outro. Não raro, encontramos em nossas reuniões casos de obsidiados que estão sendo tratados e que afirmam desejar livrar-se do jugo do obsessor. Quando este, entretanto, comunica-se gaba-se de que o encarnado o chama insistentemente e diz precisar dele (obsessor), não se podendo separar, pois necessitam um do outro. Alguns chegam mesmo a proclamar que entre ambos existe paixão, razão pela qual têm de permanecer juntos. Se o encarnado diz que pretende libertar-se, isto se deve ao fato de que fisicamente ele sofre com tal situação. No Intimo, todavia, tem prazer em situar-se como vítima. Durante o sono, por certo, basca a companhia do outro, comprazendo-se com a permuta de vibrações e sensações. Nos caminhos da Mediunidade, André Luiz, psicografia de Francisco Cândido Xavier, cap. 14. 10 ed. FEBA
AUTO-OBSESSÃO
"O homem não raramente é o obsessor de si mesmo", é o que assevera o Codificador. Tal coisa, porém, bem poucos admitem. A grande maioria prefere lançar toda a culpa de seus tormentos e aflições aos Espíritos, livrando-se, segundo julguem, de maiores responsabilidades. Kardec vai mais longe e explica: "Alguns estados doentios e certas aberrações que se lançam à conta de uma causa oculta, derivam do Espírito do próprio indivíduo." Tais pessoas estão ao nosso redor. São doentes da alma. Percorrem os consultórios médicos em busca do diagnóstico impossível para a medicina terrena. São obsessores de si mesmos, vivendo um passado do qual não consegues fugir. No porão de suas recordações estão vivos os fantasmas de suas vítimas, ou se reencontram com os a quem se acumpliciaram e que, quase sempre, os requisitam para a manutenção do conúbio degradante de outrora. Esses, os auto-obsidiados graves e que se apresentam também subjugados por obsessões lamentáveis. São os inimigos, as vítimas ou os comparsas a Ihes baterem às portas da alma. Mas existem também aqueles que portam auto-obsessão sutil, mais difícil de ser detectada. É, no entanto, moléstia que está grassando em larga escala atualmente. Um médico espirita disse-nos, certa vez, que é incalculável o número de pessoas que comparecem aos consultórios, queixando-se dos mais diversos males - para os quais não existem medicamentos eficazes - e que são tipicamente portadores de auto-obsessão. São cultivadores de "moléstias fantasmas". Vivem voltados para si mesmos, preocupando-se em excesso com a própria saúde (ou se descuidando dela), descobrindo sintomas, dramatizando as ocorrências mais corriqueiras do dia-a-dia, sofrendo por antecipação situações que jamais chegarão a se realizar, flagelando-se com o ciúme, a inveja, o egoísmo, o orgulho, o despotismo e transformando-se em doentes imaginários, vitimas de si próprios, atormentados por si mesmos. Esse estado mental abre campo para os desencarna dos menos felizes, que dele se aproveitam para se aproximarem, instalando-se ai sim, o desequilíbrio por obsessão.

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