08 novembro 2006

O UNIVERSO E O ESPAÇO UNIVERSAL

No roteiro anterior, falamos de Deus, como causa necessária do Universo.
Mas o que é Universo? É o conjunto de tudo o que existe e não é obra do homem. O Universo é a obra de Deus, - de que faz parte o próprio homem, ser pensante e racional, mas que é apenas uma criatura, um filho de Deus. Nesse Universo, há de considerar-se desde logo o espaço, que é a extensão onde tudo existe, e ligado a esse espaço deve considerar-se também o tempo. Espaço e tempo, porém, em termos universais, e em relação a Deus, têm as dimensões do infinito e da eternidade.
É isso que nos ensina a Doutrina Espírita, exposta em O Livro dos Espíritos. Ali, à pergunta de Allan Kardec, de nº 35 O Espaço universal é infinito ou limitado?, os Espíritos responderam:
Infinito. Supõe-no limitado: que haverá para lá de seus limites? Isto te confunde a razão, bem o sei; no entanto, a razão te diz que não pode ser de outro modo. O mesmo se dá com o infinito em todas as coisas. Não é na pequenina esfera em que vos achais que podereis compreendê-lo. (...)
O espaço é, pois, infinito. Que se deve, entretanto, entender por infinito? Disseram-no também os Espíritos, na resposta à pergunta nº 2 de O Livro dos Espíritos:
(...) O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.
E à pergunta seguinte: Poder-se-ia dizer que Deus é o infinito? E os Espíritos responderam:
(...) Definição incompleta. Pobreza da linguagem humana, insuficiente para definir o que está acima da linguagem dos homens.
Deus é infinito em suas perfeições (acrescenta Kardec em comentário próprio) mas o infinito é uma abstração. Dizer que Deus é o infinito é tomar o atributo de uma coisa pela coisa mesma, é definir uma coisa que não está conhecida por uma outra que não o está mais do que a primeira.
Começando a enumerar as atributos divinos, explana magistralmente Kardec: (...) Deus é eterno. Se tivesse tido princípio, teria saído do nada, ou, então, também teria sido criado, por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. (...)
Como se vê, apesar da lógica de Kardec, o assunto parece extremamente complexo e o problema aparentemente insolúvel. Entretanto tudo pode-se tornar extremamente simples e a solução limpidamente clara, se se coloca o homem na condição de criatura imperfeita ainda, mas perfectível, simples e ignorante em seu começo: pequena, podendo, porém, engrandecer-se, e por desígnio divino, através de degraus sucessivos, cada vez mais altos, que o vão tirando da ignorância, aumentando-lhe pouco a pouco o horizonte, dilatando-lhe a visão das coisas e dando-lhe, enfim, maior intuição. É a grande lei do progresso.
Conforma-te, pois, oh! homem, com o teu degrau atual e esforça-te por subir os sucessivos degraus da escala! Sê humilde diante da grandeza do Criador e confia na sua divina providência, que te criou para atingires um dia os píncaros do saber e de excelsas virtudes.
No capítulo VI de A Gênese, de Allan Kardec, pags. 103 a 105 da edição FEB, há uma mensagem do elevado Espírito Galileu, recebida na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, através da mediunidade de C.F. (a editora informa que essas são as iniciais de Camille Flammarion) que satisfaz a razão no que toca às noções que estamos procurando adquirir neste roteiro, e cujo texto vamos a seguir transcrever integralmente:
(...) 1. - Já muitas definições de espaço foram dadas, sendo a principal esta: o espaço é a extensão que separa dois corpos, na qual certos sofistas deduziram que onde não haja corpos haverá espaço. Nisto foi que se basearam alguns doutores em teologia para estabelecer que o espaço é necessariamente finito, alegando que certo número de corpos finitos não poderiam formar uma série infinita e que, onde acabassem os corpos, igualmente o espaço acabaria.
Também definiram o espaço como sendo o lugar onde se movem os mundos, o vazio onde a matéria atua, etc. Deixemos todas essas definições, que nada definem, nos tratados onde repousam.
Espaço é uma dessas palavras que exprimem uma idéia primitiva e axiomática, de si mesma evidente, e a cujo respeito as diversas definições que se possam dar nada mais fazem do que obscurecê-la. Todos sabemos o que é o espaço e eu apenas quero firmar que ele é infinito, a fim de que os nossos estudos ulteriores não encontrem uma barreira opondo-se às investigações do nosso olhar.
Ora, digo que o espaço é infinito, pela razão de ser impossível imaginar-se-lhe um limite qualquer e porque, apesar da dificuldade com que topamos para conceber o infinito, mais fácil nos é avançar eternamente pelo espaço, em pensamento, do que parar num ponto qualquer, depois do qual não mais encontrássemos extensão a percorrer.
Para figurarmos, quanto no-lo permitam as nossas limitadas faculdades, a infinidade do espaço, suponhamos que, partindo da Terra, perdida no meio do infinito, para um ponto qualquer do Universo, com a velocidade prodigiosa da centelha elétrica, que percorre milhares de léguas por segundo, e que, havendo percorrido milhões de léguas mal tenhamos deixado este globo, nos achamos num lugar donde apenas o divisamos sob o aspecto de pálida estrela. Passando um instante, seguindo sempre a mesma direção, chegamos a essas estrelas longínquas que mal percebeis da vossa estação terrestre. Daí, não só a Terra nos desaparece inteiramente do olhar nas profundezas do céu, como também o próprio Sol, com todo o seu esplendor, se há eclipsado pela extensão que dele nos separa. Animados sempre da mesma velocidade do relâmpago, a cada passo que avançamos na extensão, transpomos sistemas de mundos, ilhas de luz etérea, estradas estelíferas, paragens suntuosas onde Deus semeou mundos na mesma profusão com que semeou as plantas nas pradarias terrenas.
Ora, há apenas poucos minutos que encaminhamos e já centenas de milhões de milhões de léguas nos separam da Terra, bilhões de mundos nos passaram sob as vistas e, entretanto, escutai! Em realidade, não avançamos um só passo que seja no Universo.
Se continuarmos durante anos, séculos, milhares de séculos, milhões de períodos cem vezes seculares e sempre com a mesma velocidade do relâmpago, nem um passo igualmente teremos avançado, qualquer que seja o lado para onde nos dirijamos e qualquer que seja o ponto para onde nos encaminharemos, a partir desse grãozinho invisível donde saímos e a que chamamos Terra.
Eis aí o que é o espaço! (...)
Estudemos, agora, o tempo.
Segundo Allan Kardec, (...) O tempo é a sucessão das coisas. Está ligado à eternidade, do mesmo modo que as coisas estão ligadas ao infinito (...).
O tempo é apenas uma medida relativa da sucessão das coisas transitórias; a eternidade não é suscetível de medida alguma, do ponto de vista da duração; para ela, não há começo, nem fim: tudo lhe é presente. (...)
(...) O espaço existe por si mesmo, passando-se o contrário com relação ao tempo.
É impossível supor a supressão do espaço. (...) Já não é assim com relação ao tempo.
O tempo é criado pela medida dos movimentos celestes. Se a Terra não girasse, nem astro algum; se não houvesse sucessão de períodos, não existiria o tempo. Foi a Astronomia que criou o tempo. Suprimi o Universo, o espaço continuará a existir, mas o tempo cessará, desvanecer-se-á, desaparecerá (...)
(...) Eisntein descartou-se do conceito de tempo absoluto - um fluxo universal inexorável de tempo, firme, invariável, correndo de um passado infinito para um futuro infinito. Muito da obscuridade que envolve a Teoria da Relatividade (...) procede da relutância do homem em reconhecer que o senso do tempo, como o senso de cor, é uma forma de percepção. Assim como não há tal coisa como cor sem olhos para observá-la, da mesma forma, um instante, uma hora ou um dia nada são sem um evento que os assinale. E como espaço é simplesmente uma ordem possível de objetos materiais, o tempo é simplesmente uma ordem possível de eventos.
O tempo seria, então, um conceito meramente subjetivo, ou seja, estaria exclusivamente na dependência de um observador para apreciá-lo em determinado ponto e, portanto, inescapavelmente subordinado à relatividade de sua posição quanto a tudo o mais no Universo que o cerca. (...)

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