11 novembro 2006

O REINO DE DEUS E O PARAÍSO PROMETIDO

Moisés, para explicar a origem do homem, relata no livro bíblico Gênesis a história de Adão e Eva, que teriam sido os primeiros seres humanos, criados por Deus para habitar um jardim de delícias. Tentados pela serpente, comeram o fruto proibido da árvore da ciência do bem e do mal e foram expulsos do paraíso para a Terra, onde sua sobrevivência dependeria do próprio labor.
Tratava-se de explicação adequada ao nível de compreensão do povo judeu da época moisaica, mas que não pode ser tida por verdade absoluta nos tempos atuais, assinalados pelo progresso intelectual e científico.
As teorias que identificam nas raças humanas o resultado do aprimoramento biológico, através dos milênios, dos organismos primitivos que inicialmente povoaram a Terra, são hoje amplamente difundidas, aceitas pela comunidade científica e confirmadas pelo Plano Espiritual. As descobertas recentes da Antropologia e da Arqueologia não só tem confirmado essas teorias, como fornecido argumentos em favor da tese do povoamento simultâneo de várias regiões do Planeta, através de raças distintas, especiais em seus caracteres físicos, o que denota sua origem diversificada e desenvolvimento independente.
Contudo, a simbologia da narrativa moisaica reflete fenômeno usual no processo de desenvolvimento e evolução dos orbes e dos Espíritos que os habitam. Os mundos progridem através do crescimento em moralidade e saber dos seres que neles vivem. Quando um planeta atinge uma fase de culminância em sua transição evolutiva, os Espíritos que não acompanharam o progresso geral do orbe e se tornaram, ali, elementos de perturbação ao bem-estar da coletividade, são conduzidos a mundos menos adiantados, onde aplicarão sua inteligência e a intuição dos conhecimentos adquiridos, em benefício do progresso da humanidade que os habita. Ao mesmo tempo, expiarão, no contato com as difíceis condições de vida de seu novo ambiente, e entre povos mais atrasados, as faltas passadas e o endurecimento voluntário, sofrendo o guante da dor que impulsionará à renovação. Essas migrações entre os diversos mundos do Universo são periódicas e podem-se efetuar com os elementos de um povo, de uma raça, ou com os habitantes de um planeta.
No Gênesis, Moisés registra as reminiscências de um grupo de Espíritos, personificados por Adão e Eva, que migrou para a Terra, proveniente de um planeta do sistema orbital da estrela a que chamamos Cabra ou Capela, que pertence à Constelação do Cocheiro.
Há milênios, esse planeta capelino, "(...) que guarda muitas afinidades com o globo terrestre, atingira a culminância de um dos seus extraordinários ciclos evolutivos. (...) Alguns milhões de Espíritos rebeldes lá existiam, no caminho da evolução geral, dificultando a consolidação das penosas conquistas daqueles povos daqueles povos cheios de piedade e virtudes, mas uma ação de saneamento geral os alijaria daquela humanidade, que fizera jus à concórdia perpétua, para a edificação dos seus elevados trabalhos.
As grandes comunidades espirituais, diretoras dos Cosmos, deliberaram, então, localizar aquelas entidades, que se tornaram pertinazes no crime, aqui na Terra longínqua, onde aprenderiam, a realizar, na dor e nos trabalhos penosos do seu ambiente, as grandes conquistas do coração e impulsionando, simultaneamente, o progresso dos seus irmãos inferiores. (...)"
Na dor de seu exílio e da separação de seus afetos, foram recebidos por Jesus que, com suas amorosas advertências, despertou-lhes as esperanças de redenção no porvir e os convidou à cooperação fraterna para o aprimoramento da raça primitiva que habitava o Orbe. Jesus prometeu-lhe a assistência cotidiana e sua vinda futura, para indicar-lhes o caminho que lhes possibilitaria o retorno ao paraíso perdido.
Com o auxílio desses Espíritos endividados e aflitos, que reencarnaram nas regiões da Terra já habitada pelos clãs e povos primitivos, as falanges de Jesus procederam ao aperfeiçoamento dos caracteres biológicos das raças humanas e lançaram as bases do progresso e da civilização no Planeta.
Vivendo entre povos primitivos, ainda em situação de barbárie, essas entidades sentiram-se degredadas, em ambiente rude, para expiar suas faltas. Almejavam o retorno ao paraíso perdido, cuja lembrança intuitiva se propagou através das gerações e foi relatada nas páginas bíblicas.
A figura de Adão deve ser compreendida, pois, como símbolo da Humanidade. "(...) A palavra hebraica haadam não é um nome próprio, mas significa: o homem em geral, a Humanidade (...)". Sua desobediência às determinações divinas representa a infração das leis do bem, em que incorreram os homens, particularmente os exilados do sistema capelino, ao se deixarem dominar pelos instintos materiais.
A árvore da ciência do bem e do mal, é alegoria relativa à possibilidade de o homem discenir entre o bem e o mal, através do progresso em conhecimento e do consequente desenvolvimento de seu livre-arbítrio, que acarreta a responsabilidade pelos seus atos. Assim, ao mesmo tempo em que a árvore da ciência simboliza o crescimento em saber, implica também a responsabilidade do homem pelas suas opções diante da vida.
O fruto da árvore da ciência, que floresce no meio do jardim das delícias, corresponde ao produto da evolução material e se constitui no "(...) objeto dos desejos materiais do homem (...)". Comer o fruto é deixar-se vencer pelas tentações da matéria, em detrimento das conquistas espirituais que cumpre realizar.
A árvore da vida simboliza a vida espiritual, é referência às conquistas em moralidade e demais bens do Espírito, que o orbe capelino efetivara e de que os exilados já não poderiam aproveitar por se terem desarmonizado com o ambiente espiritual do planeta.
A morte de que a palavra divina os alerta corresponde aos resultados da infração dos princípios do bem. É termo utilizado no sentido espiritual e implica a impossibilidade de aquelas entidades se beneficiarem das aquisições que resultariam da evolução moral, e mesmo da permanência em seu planeta de origem e do contato com as virtudes desenvolvidas pelos que ali ficaram.
A serpente simboliza, pelas suas formas e modo de locomoção, a sinuosidade dos maus conselhos que, contornando os obstáculos da consciência, conseguem atingir o ser, ao encontrar os resquícios da sua inferioridade, no âmago de seu coração.
Desse modo, os ensinamentos espíritas relativos à raça adâmica esclarecem o mito registrado no Gênesis e fornecem explicação racional para as reminiscências das promessas da vinda do Messias, encontradas em diversas comunidades terrestres.
Grande número das entidades exiladas só puderam retornar ao seu orbe de origem depois de muitas existências de provas e expiações. Alguns, no entanto, ainda se encontram na Terra, pelo endurecimento do mal.

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