11 novembro 2006

O LIVRE ARBÍTRIO

"(...) O homem está subordinado ao seu livre-arbítrio; mas sua existência está também submetida a determinadas circunstâncias de acordo com o mapa de seus serviços e provação na Terra, e delineado pela individualidade em harmonia com as opiniões dos seus guias espirituais antes da reencarnação.
As condições sociais, as moléstias, os ambientes viciosos, o cerco das tentações, os dissabores, são circunstâncias da existência do homem. Entre elas, porém, está a sua vontade soberana.
Pode nascer num ambiente de humildade e modéstia, procurando vencer pela perseverança no trabalho e triunfando das deficiências encontradas; pode suportar as enfermidades com serenidade de ânimo e resignação; pode ser tentado de todas as maneiras mas só se tornará um criminoso se quiser".
O homem é, pois, livre para agir, para escolher o tipo de vida que queira levar. As dores, as dificuldades existentes na sua vida são provas e expiações decorrentes do uso indevido ou incorreto do livre-arbítrio em existências anteriores.
Se o homem "(...) tem a liberdade de pensar, tem igualmente a de obrar. Sem o livre-arbítrio, o homem seria máquina". "A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu destino. (...)
À primeira vista, a liberdade do homem parece muito limitada no círculo de fatalidades, que o encerra: necessidades físicas, condições sociais, interesses ou instintos. Mas, considerando a questão mais de perto, vê-se que esta liberdade é sempre suficiente para permitir que a alma quebre este círculo e escape às forças opressoras.
A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação; é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que um autômato, um joguete das forças ambientes: a noção de moralidade é inseparável da de liberdade. (...)"
"(...) Acrescentemos, porém, que o homem é livre, mas responsável, e pode realizar o que deseje, mas estará ligado inevitavelmente ao fruto de suas próprias ações. (...)"
Analisemos, a seguir, o papel do livre-arbítrio no conceito de alguns campos do conhecimento humano:
"(...) Estudemo-lo, inicialmente, com base em renomados penólogos.
Segundo a Escola Clássica, o homem dotado de inteligência e livre-arbítrio é penalmente responsável, eis que:
- Tem a faculdade de analisar e discernir;
- Tem o poder de livre deliberação.
A sociedade tem, pois, o direito de punir, porque o criminoso tem vontade para delinqüir.
De acordo com a Escola Antropológica, o homem age por força de funções somático-medulares, glandulares ou cerebrais.
Assim,
- O crime não é resultado da livre vontade do delinqüente, mas de fatores biológicos.
Divergem, como vemos, as escolas precedentes.
A Escola Crítica, Eclética e Sociológica diz:
- O crime resulta não da livre vontade do delinqüente, como querem os Clássicos;
- Nem da imposição de reflexos biológicos, herdados ou adquiridos, como querem os Antropologistas, mas exclusivamente, de FATORES SOCIAIS.
O Espiritismo tem explicação própria. Tem conceitos essenciais que se afinam, de alguma sorte, com as diversas escolas, indo, contudo, bem mais além, em virtude da reencarnação. (...)"
O Espiritismo esclarece que:
- Pelo uso do livre-arbítrio, construímos o nosso destino, que pode ser de dores ou de alegrias.
- Quanto mais livre é o Espírito, mais responsável ele é.
- A fatalidade, ou determinismo, pode ser traduzida pela escolha das provas feita pelo Espírito antes de encarnar.
Se há escolha de provas antes do renascimento corporal, o Espírito estabelece para si uma espécie de destino; daí o livre-arbítrio não ter uma medida absoluta, mas relativa.
Inúmeros são os exemplos da falência do Espírito pelo uso indevido, para o mal, do livre-arbítrio; mas vejamos alguns:
Com relação à posse de bens materiais: "(...) o homem é livre para reter quaisquer posses que as legislações terrestres lhes facultem, de acordo com a sua diligência na ação ou seu direito transitório, (...), mas, se abusa delas, criando a penúria dos semelhantes, de modo a favorecer os próprios excessos, encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz da abnegação. (...)"
Com a relação ao estudo, "(...) o homem é livre para ler e escrever, ensinar ou estudar tudo o que quiser (...); mas se coloca os valores da inteligência em apoio do mal, deteriorando a existência dos companheiros da Humanidade com o objetivo de acentuar o próprio orgulho, encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do discernimento. (...)"
Com relação ao trabalho, "(...) o homem é livre para abraçar as tarefas a que se afeiçoe (...); mas se malversa o dom de empreender e de agir, (...) encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do serviço aos semelhantes. (...)"
Finalmente, com relação ao sexo, "(...) o homem é livre para dar às suas energias e impulsos sexuais a direção que prefira (...); mas, se para lisonjear os próprios sentidos transforma os recursos genésicos em dor e desequilíbrio, angústia ou desesperação para os semelhantes, pela injúria aos sentimentos alheios ou pela deslealdade e desrespeito nos compromissos e ajustes afetivos, (...) encontrará nas conseqüências disso a fieira de provações com que aprenderá a acender em si mesmo a luz do amor puro. (...)"
Como se vê, "(...) todos somos livres para desejar, escolher, fazer e obter, mas todos somos também constrangidos a entrar nos resultados de nossas próprias obras. (...)"

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