08 novembro 2006

A EXISTENCIA DE DEUS

Qualquer doutrina tem seus princípios básicos, dos quais derivam outros, que são decorrências naturais ou lógicas dos primeiros. Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita é o da existência de Deus, como o Criador necessário de tudo o que existe. Outro, evidentemente fundamental, é o da existência dos Espíritos, como criaturas suas; e outro ainda, o da natureza espiritual da alma humana, considerada como Espírito encarnado, que constitui a individualidade consciente, permanente e imperecível do homem. Tudo o mais que os Espíritos revelaram, a pluralidade dos mundos habitados, a encarnação e as reencarnações , com a consequente pluralidade das existências corporais, a lei de causa e efeito, o princípio da necessidade das provações, como meio de progresso, e das cruciantes, mas redentoras expiações; tudo isso, que revela suprema sabedoria, harmonizando bondade e indefectível justiça, é decorrência natural daqueles princípios básicos. À frente de todos, porém, fulge, luminoso, o princípio da existência do Eterno Criador.
Já fizemos notar, no Roteiro nº. 01 do Programa II, o fato altamente significativo de ter Kardec começado O Livro dos Espíritos com um capítulo inteiramente consagrado a Deus, às provas da sua existência e aos atributos da Divindade.
A A Gênese, Allan Kardec - após explicar no Capítulo I, o Caráter da Revelação Espírita -, novamente trata, logo no Capítulo II, da existência de Deus, mostrando que ela constitui o mais fundamental princípio da Doutrina Espírita, conforme veremos a seguir.
1. - Sendo Deus a causa primária de todas as coisas, a origem de tudo o que existe, a base sobre que repousa o edifício da criação, é também o ponto que importa consideremos antes de tudo.
2. - Constitui princípio elementar que pelos seus efeitos é que se julga de uma causa, mesmo quando ela se conserve oculta.
Se, fendendo os ares, um pássaro é atingido por mortífero grão de chumbo, deduz-se que hábil atirador o alvejou, ainda que este último não seja visto. Nem sempre, pois, se faz necessário vejamos uma coisa, para sabermos que ela existe. Em tudo, observando os efeitos é que se chega ao conhecimento das causas.
3. - Outro princípio igualmente elementar e que, de tão verdadeiro, passou a axioma é o de que todo efeito inteligente tem que decorrer de uma causa inteligente.
Se perguntassem qual o construtor de certo mecanismo engenhoso, que pensaríamos de quem respondesse que ele se fez a si mesmo? Quando se contempla, uma obra-prima da arte ou da indústria, diz-se que há de tê-la produzido um homem de gênio, porque só uma alta inteligência poderia concebê-la. Reconhece-se, no entanto, que ela é obra de um homem, por se verificar que não está acima da capacidade humana; mas, a ninguém acudirá a idéia de dizer que saiu do cérebro de um idiota ou de um ignorante, nem, ainda menos, que é trabalho de um animal, ou produto do acaso.
4. - Em toda parte se reconhece a presença do homem pelas suas obras. A existência dos homens antediluvianos não se provaria unicamente por meio dos fósseis humanos: provou-a também, e com muita certeza, a presença, nos terrenos daquela época, de objetos trabalhados
pelos homens. Um fragmento de vaso, uma pedra talhada, uma arma, um tijolo bastarão para lhe atestar a presença. Pela grosseria ou perfeição do trabalho, reconhecer-se-á o grau de inteligência ou de adiantamento dos que o executaram. Se, pois, achando-vos numa região habitada exclusivamente por selvagens, descobrirdes uma estátua digna de Fídias, não hesitareis em dizer que, sendo incapazes de tê-la feito os selvagens, ela é obra de uma inteligência superior à destes.
5. - Pois bem! Lançando o olhar em torno de si, sobre as obras da Natureza, notando a providência, a sabedoria, a harmonia que presidem a essas obras, reconhece o observador não haver nenhuma que não ultrapasse os limites da mais portentosa inteligência humana. Ora, desde que o homem não as pode produzir, é que elas são produto de uma inteligência superior à Humanidade, a menos se sustente que há efeitos sem causa. (1 - 5)
Considera em seguida Kardec a opinião dos que opõem a esse raciocínio tão lógico o de que As obras ditas da Natureza são produzidas por forças materiais que atuam mecanicamente, em virtude das leis de atração e repulsão; (...) sob cujo império tudo ocorre, quer no reino inorgânico, quer nos reinos vegetal e animal, com uma regularidade mecânica que não acusa a ação de nenhuma inteligência livre. (...) O homem (dizem esses opositores) movimenta o braço quando quer e como quer; aquele, porém, que o movimentasse no mesmo sentido, desde o nascimento até a morte, seria um autômato. Ora, as forças orgânicas da Natureza são puramente automáticas.
Tudo isso é verdade; (redarguiu Kardec) mas, essas forças são efeitos que hão de ter uma causa (...). Elas são materiais e mecânicas; não são de si mesmas inteligentes, também isso é verdade; mas, são postas em ação, distribuídas, apropriadas às necessidades de cada coisa por uma inteligência que não é a dos homens. A aplicação útil dessas forças é um efeito inteligente, que denota uma causa inteligente. (...) Deus não se mostra, mas se revela pelas suas obras.
O Espiritismo, portanto, dá ao homem uma idéia de Deus que, com a sublimidade da Revelação, está conforme a mais perfeita e justa racionalidade. Convence-nos da Dívina Existência sem necessitar recorrer a outras provas que não as que provêm da simples contemplação do Universo, onde Deus se revela através de obras admiráveis e de leis sábias, constituindo um conjunto grandioso de tanta harmonia e onde há perfeita adequação dos meios aos fins, que se torna impossível não ver por trás de tão portentoso mecanismo a ação de uma Suprema Inteligência. Por isso, a pergunta do Codificador: Que é Deus?
Os Espíritos reveladores responderam:
Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas.
Assim o compreendem, numa inata intuição de Sua existência e do Seu poder todos os que não se deixaram empolgar totalmente pelo terrível entorpecer da inteligência e do sentimento humanos, que é o orgulho, e assim, reconhecem no harmonioso mecanismo que entretém os movimentos universais, a existência imprescindível de um primeiro motor transcendente. A mecânica celeste não se explica por si mesma (escreve Léon Denis), e a existência de um motor inicial se impõe. A nebulosa primitiva, mãe do Sol e dos planetas, era animada de um movimento giratório. Mas quem lhe imprimira esse movimento? Respondemos sem hesitar: Deus.
Assim como Léon Denis, já então iluminado pela radiosa luz do Espiritismo, o reconheceu, fê-lo também Albert Einstein, com todo o rigor do seu raciocínio lógico, puramente matemático. Por muito raciocinar em busca da verdade, Einstein adquiriu um alto grau de intuição que o levou, do mesmo modo que a muitas outras coisas, também, ao reconhecimento da existência de Deus, como fonte necessária da energia que dá o primeiro impulso a tudo que se move no Universo.
Muito antes de Einstein, também o não menos genial Issac Newton teve de reconhecer a existência necessária de uma causa transcendente e um primeiro motor para explicar o movimento dos planetas. Apesar de descobrir a grande lei da gravitação universal, que viria aparentemente resolver esse milenar problema, no fim de seu livro Princípios Matemáticos de Filosofia Natural declara-se impotente para explicar aqueles movimentos somente pelas leis da Mecânica.
(...) Em um transporte de entusiasmo, sua grande Alma se exalça Àquele que, por si só, pôde, com sua poderosa mão, lançar os mundos sobre a tangente de sua órbita. Nunca a ciência humana e o gênio do homem se elevaram mais alto do que nessa página célebre, digno coroamento desse livro grandioso (...) (Conforme o que escreveu na Revue du Bien o professor Bulliot, citado por Léon Denis em seu livro O Grande Enigma).

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