29 outubro 2006

O PRINCÍPIO DA AÇÃO E REAÇÃO

"A liberdade é a condição necessária da alma humana que, sem ela, não poderia construir seu destino. (...)"

Apesar da liberdade do homem parecer, à primeira vista, muito restrita pelas próprias limitações das condições físicas, sociais ou interesses de cada um, na realidade, sempre podemos contornar tais obstáculos e agir da maneira que mais nos pareça acertada.

"(...) A liberdade e a responsabilidade são correlativas no ser e aumentam com sua elevação, é a responsabilidade do homem que faz sua dignidade e moralidade. Sem ela, não seria ele mais do que autômato, um joguete das forças ambientes. (...)"

Quando resolvemos fazer ou deixar de fazer alguma coisa, a nossa consciência sempre nos alerta a respeito, aprovando-nos ou censurando-nos. Apesar da voz íntima nos alertar, sempre usamos o que foi decidido pela nossa vontade ou livre-arbítrio. Nada nos coage nos momentos de decisões próprias, daí ser correto afirmar que somos responsáveis pelos nossos atos. Somos os construtores do nosso destino.

Livre-arbítrio é, pois, definido como "a faculdade que tem o indivíduo de determinar a sua própria conduta", ou, em outras palavras, a possibilidade que ele tem de, "entre duas ou mais razões suficientes de querer ou de agir, escolher uma delas e fazer que prevaleça sobre as outras. (...)"

Aceitar a vida guiada por um determinismo onde todos os acontecimentos estão fatalmente pré-estabelecidos, é raciocinar de uma maneira muito ingênua, senão simplória; porque, se assim fosse, o homem não seria um ser pensante, batalhador, capaz de tomar resoluções e de interferir no progresso, seria apenas uma máquina robotizada, irresponsável, à mercê dos acontecimentos.

"(...) Fatalidade existe unicamente pela escolha que o Espírito fez, ao reencarnar, desta ou daquela prova para sofrer. (...)"

"(...) O livre-arbítrio, a livre vontade do Espírito exerce-se principalmente na hora das reencarnações. Escolhendo tal família, certo meio social, ele sabe de antemão quais são as provações que o aguardam, mas compreende, igualmente, a necessidade destas provações para desenvolver suas qualidades, curar seus defeitos, despir seus preconceitos e vícios. Estas provações podem ser também consequências de um passado nefasto, que é preciso reparar, e ele aceita-as com resignação e confiança. (...)

O futuro aparece-lhe então, não em seus pormenores, mas em seus traços mais salientes, isto é, na medida em que esse futuro é a resultante de atos anteriores. Estes atos representam a parte de fatalidade ou "a predestinação que certos homens são levados a ver em todas as vidas. (...)

Na realidade, nada há de fatal e, qualquer que seja o peso das responsabilidades em que se tenha incorrido, pode-se sempre atenuar, modificar a sorte com obras de dedicação, de bondade, de caridade, por um longo sacrifício ao dever. (...)"

Os acontecimentos diariamente observados na categoria de dores, que desarticulam o modo de viver, antes tão feliz; ou sob forma de tragédias, que produzem crises de angústia e de desespero; a doença que chega sem avisar, abatendo o ânimo e a coragem; as decepções com amigos ou as esperanças frustradas, a pobreza material a retratar-se na desnutrição, na orfandade, nos assaltos, tanta coisa, a se traduzir como aflições e infortúnios, poderá levar o homem, que desconhece as verdades espirituais, à loucura ou ao suicídio. Por isto, a Doutrina Espírita vem esclarecer que "de duas espécies são as vicissitudes da vida, ou, se o preferirem, promanam de duas fontes bem diferentes, que importa distinguir. Umas têm causa na vida presente; outras fora desta vida.

"Remontando-se à origem dos males terrestres, reconhecer-se-á que muitos são consequência natural do caráter e do proceder dos que os suportam.

Quantos homens caem por sua própria culpa! Quantos são vítimas de sua imprevidência, de seu orgulho e de sua ambição!

Quantos se arruinam por falta de ordem, de perseverança, pelo mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos! (...)

Quantas doenças e enfermidades decorrem da intemperança e dos excessos de todo gênero!

Quantos pais são infelizes com seus filhos, porque não lhes combateram desde o princípio as más tendências! (...)

A quem, então, há de o homem responsabilizar por todas essas aflições, senão a si mesmo? O homem, pois, em grande número de casos, é o causador de seus próprios infortúnios (...)"

No entanto, sabemos que existe males que ocorrem sem que o homem tenha diretamente culpa. São dores que têm origem em atos praticados noutras existências. "(...) Tal, por exemplo, a perda de entes queridos e a dos que são o amparo da família. Tais, ainda, os acidentes que nenhuma previsão poderia impedir, os reveses da fortuna, que frustram todas as precauções aconselhadas pela prudência; os flagelos naturais, as enfermidades de nascença, sobretudo as que tiram a tantos infelizes os meios de ganhar a vida pelo trabalho: as deformidades, a idiotia, o cretinismo, etc.

Os que nascem nessas condições, certamente nada hão feito na existência atual para merecer, sem compensação, tão triste sorte, que não podiam evitar (...)".

Não resta a menor dúvida que constituímos hoje, o produto das experiências vividas no passado. Não há sofrimento sem uma causa e efeito, ou a ação e reação, regem o nosso destino porque, se somos livres na semeadura, seremos escravos da colheita.

Deus nos permite, pelo livre-arbítrio, a responsabilidade de praticar o bem ou o mal, porém, a partir do momento que decidimos o que fazer, esta ação gera uma reação característica, que virá mais tarde sob a forma de colheita.

"(...) Assim se explicam pela pluralidade das existências pela destinação da Terra, como um mundo expiatório, as anomalias que apresenta a distribuição da ventura e da desventura entre os bons e os maus neste planeta (...)".

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