26 outubro 2006

A ALMA HUMANA

Antes do Espiritismo, errônea ou muito imprecisa, vaga e confusa era a idéia que se fazia da alma humana.

Erradamente considerada como efeito e não causa pelos materialista, estes viam nos fenômenos psicológicos, dela dependentes, apenas o resultado da atividade funcional do sistema nervoso do homem. Um decantado, mas mal compreendido paralelismo psicofisicológico parecia justificar esse modo de ver, portanto, de fato, lesado o cérebro, ou a medula espinhal, ou os nervos, perturbam-se as funções superiores da consciência, o pensamento lógico, o juízo, o raciocínio, a memória, as sensações e percepções, bem como a afetividade e a motilidade voluntária, instalando-se a demência, os delírios, as alucinações, a amnésia, as incoordenações motoras a disartria, as paralisias, a afasia, a insensibilidade e mesmo o coma. Foram, assim, os homens de ciência, principalmente os fisiologistas e os psicólogos, os médicos e os psiquiatras, levados a um erro fundamental, que foi inverterem os papéis do corpo e da alma, dando primazia àquele que, entretanto, é apenas instrumento desta para suas atividades, enquanto encarnada.

Seria a alma, então, mero efeito do funcionamento do corpo material.

Ainda erradamente foi confundida a alma com o princípio da vida orgânica pelos vitalistas, os quais, dando embora à alma vital o caráter de causa da vida, não explicam o atributo essencial da alma humana, que é a consciência individual, resultante da faculdade cognitiva ou inteligente do ser humano. A inteligência nada tem a ver com a matéria orgânica, nem tampouco com o princípio vital, que ainda é substância material, embora sutil e dinâmica, donde emana a força vital, mas não a inteligência e, muito menos, a razão lógica, a afetividade e o senso moral, todas faculdades superiores, inexistentes nos outros seres vivos e organizados, vegetais ou animais, pelo menos no grau em que esplendem no homem racional e moral.

Finalmente, foi a alma considerada como um ser real e distinto, causa e não efeito de toda atividade psicológica e moral do homem, pelos espiritualistas. Estes compreendem-na como um ser imaterial, distinto do corpo perecível e a ele sobrevivente, mas imaginando-a ainda, erroneamente, criada com o corpo e para esse corpo exclusivamente, ao qual se liga durante a vida física e dele se desprende quando morre, para seguir um destino do qual se fazem idéias muito vagas, mais por tradição do que pelo convencimento da razão ou qualquer espécie de comprovação. "(...) Esta concepção se aproxima um pouco da verdade, porque dá à alma humana a qualidade e o papel, que ela realmente tem, de causa espiritual de toda a vida psicológica e moral do homem, concebendo-a ainda como eterna e imortal, portanto, sobrevivente ao corpo material perecível; mas ela peca por erro fundamental, que só por si tem gravíssimas e danosas conseqüências, especialmente no que tange à vida moral: limita o horizonte da alma humana a uma só existência corporal, condicionando o seu patrimônio intelectual e moral a essa existência única, sem levar em conta o acervo de aquisição do passado dessa alma, uma vez que a não considera preexistente ao corpo atual, vinda de passar por numerosas outras existências em outros tantos corpos, nas quais acumulou variadas experiências pretéritas valiosíssimas. Fixa, em conseqüência, o seu destino - feliz ou desgraçado -, neste mundo e no outro, de uma maneira irrevogável e na mais estrita dependência de condições que são muito pessoais para cada indivíduo, extraordinariamente variáveis e aparentemente fora de qualquer lei de causalidade justa e equânime. (...)

Com Allan Kardec, porém, e a codificação do Espiritismo - que foi a sua obra missionária - raiou no mundo a aurora de uma Nova Era, a era do Espírito, e a conceituação de alma humana recebeu, então, brilhante luz. Sim, depois da demonstração experimental da existência de um mundo espiritual primitivo e dos Espíritos, que são os seus habitantes, pela própria manifestação destes através dos fenômenos mediúnicos, depois que os próprios Espíritos, pois, vieram revelar o que eles verdadeiramente são, qual a natureza, como podem manifestar-se e se comunicar com os homens, qual é também o seu destino e como se realiza esse destino - que é progredir através de sucessivas encarnações em mundos materiais e em corpos carnais - depois desses admiráveis conhecimentos sobre o Espírito, pôde ser dada a verdadeira definição de alma humana. Essa definição, embora extremamente simples, pode considerar-se magistral. Vamos apreciá-las nas próprias palavras do Codificador, citando os textos correspondentes de O Livro dos Espíritos:

"134. Que é a alma?"

"Um Espírito encarnado".(...)

b) - Que seria o nosso corpo se não tivesse alma?

"Simples massa de carne sem inteligência, tudo o que quiserdes, exceto um homem".

Admira-se nestes textos a limpidez da Doutrina Espírita a respeito do que seja a alma do homem.

A alma humana é um Espírito encarnado.

É incrível que em definição tão simples possa encerrar-se tão grande verdade!

Com efeito, a ela se aplica tudo o que os próprios Espíritos ensinaram a respeito do Espírito. Pelos textos pode concluir-se que a sua essência é puramente espiritual, pois até o perispírito, segundo os mesmos textos, é simples invólucro semimaterial que a acompanha nas suas diversas encarnações neste mundo, mas que ela despirá, também, um dia quando, por ter-se mais altamente graduado, puder encarnar em um mundo mais evoluído, trocando-o por outro menos denso, formado com os fluidos ambientes desse mundo melhor. Encarnando e reencarnando num mundo material e em sucessivos mundos cada vez menos materiais e mais elevados, tem a alma por objetivo supremo o seu progresso espiritual até atingir total libertação da matéria e da necessidade da encarnação.

É, pois, a alma humana um ser real, individual, independente e autônomo, de natureza puramente espiritual e que tem por destino grandioso progredir sempre, alteando-se cada vez mais em conhecimentos e em virtudes, realizando-o através de múltiplas existências corporais, nas quais se depura e se eleva gradualmente até que, por fim, se liberta totalmente da necessidade de encarnar, por ter-se tornado Espírito puro, atingindo o topo da Escala Espírita, passando a fruir uma felicidade incomparável e inimaginável pelo homem terreno.

Com Allan Kardec, pois, e a Nova Era do Espírito - que ele iniciou - abriram-se perspectivas novas para o Espírito humano. Com a sua conceituação da alma, tornou-se a Doutrina Espírita a doutrina da esperança, pois descerrou aos olhos dos homens um futuro verdadeiramente feliz e promissor.

Ela é bem o Consolador que Jesus prometeu à Humanidade! (...)

Bibliografia:  Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996

XAVIER, Francisco Cândido. In: Fonte Viva. Ditado pelo Espírito Emmanuel.

20 ed. Rio [de Janeiro]: FEB, 1995, lição 139, p. 312.

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