24 outubro 2006

ALLAN KARDEC

Na cidade de Lião, na rua Sala 76, nasceu, no dia 3 de outubro de 1804, aquele que se celebrizaria sob o pseudônimo de Allan Kardec, de tradicional família francesa de magistrados e professores, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail e de Jeanne Louise Duhamel. Batizado pelo padre Barthe, a 15 de junho de 1805, na igreja de Saint Denis de la Croix-Rousse, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.
Em Lião, fez os seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdon, na Suiça, a fim de estudar no Instituto do célebre professor Pestalozzi. O instituto desse abalizado mestre era um dos mais famosos e respeitados em toda a Europa, reputado como escola modelo,por onde passaram sábios escritores do Velho Continente. Desde cedo Hippolyte Léon tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestalozzi, um coloborador inteligente e dedicado, que exerceria, mais tarde, grande influência sobre o ensino na França.
Declara a Revista Espírita, de maio de 1869, que, dotado de notável inteligência e atraído por sua vocação, desde os 14 anos ele ensinava, aos condiscípulos menos adiantados, tudo que aprendia.
Concluídos os seus estudos em Yverdon, regressou a Paris, onde se tornou conceituado Mestre não só em letras como em ciências, distinguindo-se como notável pedagogo e divulgador do Método Pestalozziano. Conhecia algumas linguas como o italiano, alemão etc. Tornou-se membro de várias sociedades científicas.
Encontrando-se no mundo literário de Paris com a professora Amélie Gabrielle Boudet, culta, inteligente, autora de livros didáticos, o professor Hippolyte Léon contrai com ela matrimônio, conquistando uma preciosa colaboradora para a sua futura atuação missionária.
Como pedagogo, no primeiro período da sua vida, Rivail publica numerosos livros didáticos. Apresenta, na mesma época, planos e métodos referentes à reforma do ensino francês. Entre as obras publicadas, destacam-se: Curso Teórico e Prático de Aritmética, Gramática Francesa Clássica, Catecismo Gramatical da Língua Francesa, além de programas de cursos ordinários de física, astronomia e fisiologia.
Ao término desta longa atividade e experiência pedagógica, o professor Hippolyte estava preparado para outra tarefa, a Codificação do Espiritismo.
Começa então a missão de Allan Kardec quando, em 1854, ouviu falar pela primeira vez nas mesas girantes, através do amigo, senhor Fortier, um pesquisador emérito do magnetismo. A principio Kardec revelou-se cético, apesar de seus estudos sobre magnetismo, mas não intransigente, em face da sua posição de livre pensador, de homem austero, sincero e observador. Exigindo provas, mostrou-se inclinado à observação mais profunda dos ruidosos fatos amplamente divulgados pela imprensa francesa.
Assistindo aos propalados fenômenos na casa da sonâmbula senhora Roger, depois na casa da madame Plainemaison e, finalmente, na casa da família Baudin, recebe muitas mensagens através da mediunidade das jovens Caroline e Julie. Conclui, afinal, que eram efetivamente manifestações inteligentes produzidas pelos Espíritos dos homens que deixaram a terra.
Recebendo depois dos senhores Carlotti, René Taillandier, Tiedeman-Manthèse, Sardou, pai e filho, e Didier, editor(...) cinquenta cadernos de comunicações diversas(...), Kardec se dedica àquela ciclópica e desafiadora tarefa da Codificação Espírita, elaborando as obras básicas em função dos ensinamentos fornecidos pelos Espíritos, sendo a primeira delas - O Livro dos Espíritos - , publicado em 18 de abril de 1857, e tida como marco inicial da Codificação do Espiritismo.
Explicando a sua convicção, sustenta que a sua crença apóia-se em raciocínio e fatos. É do seu feitio examinar, antes de negar ou afirmar a priori, qualquer tema. (...) Foi, portanto, como racionalista estudioso, emancipado do misticismo, que ele se pôs a examinar os fatos relacionados com as mesas girantes: Tendo adquirido, no estudo das ciências exatas, o hábito das coisas positivas, sondei, perscrutei esta nova ciência (o Espiritismo) nos seus mais íntimos refolhos; busquei explicar-me tudo, porque não costumo aceitar idéia alguma, sem lhe conhecer o como e o porquê.(...)
Fundou Kardec, em 1º de abril de 1858, a primeira sociedade com o nome de Société Parisienne des Études Spirites e no mesmo ano edita a Revista Espírita, primeiro órgão espirita na Europa. Na 1ª quinzena de janeiro de 1861, lança O Livro dos Médiuns e depois, sucessivamente,O Evangelho Segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese.
Recebe a primeira revelação da sua missão em 30 de abril de 1856,pela médium Japhet, missão essa confirmada em 12 de junho de 1856, pela médium Aline, e finalmente a 12 de abril de 1860, na casa do senhor Dehan, pelo médium Croset. Kardec escreve que empregou nessa laboriosa tarefa toda solicitude e dedicação de que era capaz.
Na revista Espírita de maio de 1869, lê-se: (...) Trabalhador infatigável, sempre o primeiro e o ultimo a postos, Allan Kardec sucumbiu a 31 de março de 1869 (...). Nele, como em todas as almas fortemente temperadas, a lâmina gastou a bainha.(...)
Cumprida estava modelarmente a missão do expoente máximo da Terceira Revelação, abrindo caminho ao Espiritismo (...) a grande voz do consolador prometido ao mundo pela misericórdia de Jesus Cristo.(...)
No que tange ao método, Kardec adota o intuitivo-racionalista pestalozziano, como processo didático defendido pelo fundador do instituto de Yverdon, considerando todavia o valor da análise experimental. Sob tais diretrizes cultiva o espírito natural da observação, apregoando o uso do raciocínio na descoberta da verdade. Desestimula, todavia, a atitude mecânica para que o aprendiz procure sempre a razão e a finalidade de tudo. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do particular para o geral. Recomenda a utilização de uma memória racional, fazendo o uso complexo da razão, para reter as idéias, de modo a evitar o processo de repetição mecânica das palavras. Procura despertar no estudo a curiosidade do observador, de molde a avivar a atenção e a percepção.
O lastro contido no ensino basilar ´e sempre intuitivo, que Kardec considera(...) como o fundamento geral dos nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forças do espírito humano, da maneira mais natural.(...). Entendia Kardec que(...)todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem, por indução, os resultados a se chegar a enunciados gerais que possam servir de base ao raciocínio, dispondo-se esses materiais, com ordem sem lacuna, harmoniosamente. (...)
Pelo eficiente e racional método de sua dialética, Kardec foi saudado por Camille Flammarion como o bom senso encarnado.
Em conclusão, a resplandecente missão do mestre de Lion, exercida com tanto estoicismo edevoção, assegura-nos, desde agora, a convicção de sua retumbante vitória.
PROPRIEDADE
(...) O homem ganhará impulso santificante, compreendendo que só possui verdadeiramente aquilo que se encontra dentro dele, no conteúdo espiritual de sua vida. Tudo o que se relaciona com o exterior - como sejam: criaturas, paisagens e bens transitórios - pertence a Deus, que lhes concederá de acordo com os seus méritos.(...)
Bibliografia: Estudos Sistematizados da Doutrina Espírita - FEB - Programa I - Edição 1996
XAVIER, Francisco Cândido. In:-. Caminho, verdade e vida. Ditado pelo Espírito Emmanuel 16.ed.Rio de Janeiro: FEB, 1996. Lição 149, p. 314

Nenhum comentário:

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...